Qual o impacto da pressão em escolher uma carreira?

  Desde pequenos que ouvimos aquela pergunta que, de inocente, tem muito pouco: “O que queres ser quando fores grande?”
Dizem-na com um sorriso, como se fosse só para encher conversa, mas o eco dessa pergunta instala-se fundo, como se fosse suposto termos uma resposta desde sempre.
  Aos 16, já nos pedem para escolher uma área. Aos 18, temos de decidir um curso. Como se fosse fácil. Como se fôssemos obrigados a saber o que queremos fazer para o resto da vida quando ainda estamos a tentar perceber quem somos.
  A escola dá-nos matéria, fórmulas e datas para decorar. Mas não nos ensina a fazer perguntas importantes: Do que é que eu gosto, mesmo? Em que tipo de ambiente é que me sinto bem? Que tipo de impacto é que quero ter no mundo? Qual é o meu tipo de inteligência?
Em vez disso, muitas das nossas decisões acabam por ser feitas com base no medo: medo de não arranjar emprego, medo de desiludir os pais ou medo de escolher mal.
E a verdade é que, assim, é fácil cair na rotina de seguir um caminho só porque parece seguro. Só porque toda a gente à volt
a está a fazer o mesmo.
  Mas aqui vai uma verdade que ninguém nos diz com clareza: escolher uma carreira não é assinar um contrato vitalício.
Não é uma linha reta. É mais como um labirinto.
Vamos experimentando, mudando de ideias, trocando de áreas e às vezes até começando do zero.
E isso não é fracasso - é adaptação. É escuta interior. É maturidade.
  Também é importante lembrar que nem toda a gente descobre a sua paixão aos 20. Há quem demore mais tempo. E não faz mal.
Nem toda a gente tem um “chamamento”. Para muita gente, o trabalho é só uma parte da vida - e está tudo certo com isso.
Outros encontram o que gostam enquanto fazem outra coisa qualquer. Porque a vida é assim: caótica, confusa e surpreendente. E não obedece a prazos.
  Por isso, se estás naquela fase em que parece que toda a gente já tem um plano e tu ainda estás às voltas com as tuas dúvidas… respira.
Talvez o mais honesto que possas dizer neste momento seja: “Não sei.”
E tudo bem. Às vezes, não saber é exatamente o ponto de partida de que precisavas.
  A carreira que escolheres agora não tem de ser definitiva. A melhor escolha pode não ser “a certa para sempre”, mas “a certa para já”.
Aquela que te vai ensinar algo, dar-te ferramentas, ajudar-te a perceber um bocadinho melhor quem és.
  Não estás atrasado. Não estás a falhar. Estás a viver - e isso implica incerteza.
  A pressão vai continuar a aparecer, claro. Mas tu podes responder-lhe com calma e com coragem.
  No fim de contas, não é suposto sabermos tudo aos 18. Nem aos 20. Nem aos 30.
É suposto irmos aprendendo. No nosso tempo.


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