O que nos define? Atitude ou pensamento?
Isto foi uma questão que vi
circular algures e que me ficou a ecoar: afinal, o que nos define mais - a
forma como pensamos ou a forma como agimos?
Muitas vezes, gostamos de acreditar que
somos aquilo que sentimos, que pensamos ou que idealizamos. Que os nossos
valores, as nossas intenções e reflexões internas são aquilo que realmente nos
torna quem somos. E sim, é nos pensamentos que nascem muitas das nossas
vontades, desejos e princípios. É aí que mora a empatia, a justiça e a
consciência. Pensar sobre as coisas com profundidade, refletir a
ntes de agir,
tentar ver o mundo pelos olhos dos outros - tudo isso é importante e tem peso
naquilo que somos.
Mas e se nunca passarmos disso?
O problema é que o mundo não lê
pensamentos. O mundo vê - e reage - às nossas atitudes. Não interessa muito se
temos as melhores intenções do mundo se aquilo que fazemos, na prática, não
reflete isso. Não interessa se somos contra a injustiça se, quando alguém é
maltratado à nossa frente, ficamos em silêncio. Não interessa se queremos ser
gentis, se tratamos mal quem nos rodeia sempre que estamos frustrados ou
cansados.
A forma como agimos, como tratamos os
outros, como nos comportamos quando ninguém está a ver - isso diz muito mais
sobre nós do que qualquer coisa que pensemos sobre quem somos.
E o mais curioso é que, muitas vezes,
há uma enorme desconexão entre aquilo que acreditamos e o que fazemos. Pessoas
que se consideram pacíficas, mas gritam com facilidade. Gente que defende
empatia, mas julga os outros com dureza. E também o contrário: pessoas que têm
pensamentos autocríticos, que se veem como fracas ou falhadas, mas que na
verdade são das mais esforçadas e generosas que conhecemos.
Talvez sejamos mesmo isso: um equilíbrio
entre pensamento e ação. Os nossos pensamentos mostram o que aspiramos ser - e
as nossas atitudes mostram onde estamos. Somos uma ponte entre os dois. Seres
em construção, que pensam uma coisa, agem outra, erram, corrigem e crescem.
E se calhar é isso que realmente nos
define: a forma como lidamos com essa diferença entre o que queremos ser e o
que conseguimos ser naquele momento. A nossa escolha quando estamos cansados,
magoados, inseguros. Porque, às vezes, é exatamente quando pensamos em
desistir, mas escolhemos tentar mais uma vez, que revelamos quem somos.
No fundo, talvez a resposta nem importe
assim tanto. O mais importante é a pergunta: estou a alinhar o que penso com o
que faço? Estou a agir de forma coerente com os meus valores?
Se estivermos, mesmo com tropeços pelo
caminho, estamos no caminho certo.



Comentários
Enviar um comentário