E se eu for adulto, mas não me sentir como tal?

  Ser adulto não tem um guião claro. Ao contrário da infância ou da adolescência, não há fases bem definidas ou alguém constantemente a dizer-nos qual é o próximo passo. Há quem já tenha saído de casa, pague as próprias contas, tome decisões importantes… e mesmo assim sinta que está constantemente a improvisar, como se estivesse a fingir ser uma versão que ainda não domina completamente.
  É uma sensação estranha - e mais comum do que parece. Muitas vezes, confundimos a vida adulta com estabilidade, certezas, ou um suposto manual de como lidar com tudo. Mas, na realidade, há adultos com décadas de experiência que continuam a questionar se estão no caminho certo. A idade não traz, por si só, o sentimento de prontidão.
  A verdade é que hoje existem mais exigências do que nunca. Espera-se que saibamos lidar com dinheiro, carreira, saú
de mental, relações, metas pessoais... e tudo isto enquanto o mundo muda a um ritmo acelerado. A pressão aumenta ainda mais quando abrimos uma rede social e vemos alguém da mesma idade a comprar casa, a abrir uma empresa, a casar ou a viajar o mundo. Mesmo que saibamos que só estamos a ver os destaques da vida alheia, não é fácil evitar a comparação.
  Parte deste peso vem também de uma falsa crença que carregamos desde pequenos: achávamos que os adultos sabiam tudo. Agora percebemos que, muitas vezes, estavam apenas a fazer o melhor que podiam com as ferramentas que tinham. Crescer não é deixar de ter dúvidas - é aprender a viver com elas e tomar decisões mesmo quando não há garantias.
  Então, o que fazer quando nos sentimos despreparados? Eu também não sabia, mas fui pesquisar. Em primeiro lugar, aceitar que não estamos sozinhos. Sentir que não sabemos tudo não é sinal de imaturidade - é sinal de consciência. Em segundo, perceber que ninguém consegue lidar com todas as responsabilidades ao mesmo tempo. Podemos (e devemos) estabelecer prioridades, criar rotinas simples, procurar ajuda, conversar com quem já passou pelo mesmo ou até fazer terapia. Crescer não precisa de ser um processo solitário.
  Talvez ser adulto não seja um estado final, mas sim um processo contínuo. Um equilíbrio entre a responsabilidade e a vulnerabilidade. Entre aprender com os erros e continuar a arriscar. Entre reconhecer que não temos todas as respostas e mesmo assim continuar a procurar. Sentir-se despreparado não nos torna menos adultos - torna-nos humanos. E, aos 
poucos, vamos encontrando a nossa própria forma de estar no mundo.


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