E se estivermos a desperdiçar os nossos 20s?
Há uma pergunta
que, por vezes, paira no ar em silêncio, mas que ecoa com força dentro de nós: e
se estivermos a desperdiçar os nossos 20s? Esta década é constantemente
retratada como a melhor fase da vida - o tempo da
s aventuras, das experiências,
das decisões arriscadas, das noites longas e das histórias inesquecíveis. Mas…
e se não for assim para todos?
Vivemos rodeados de expectativas. As
redes sociais estão cheias de imagens de viagens exóticas, festas
inesquecíveis, carreiras brilhantes e corpos que parecem sempre prontos para
mais uma selfie. A pressão para vivermos tudo, agora, é real. E quando a nossa
vida não se parece com esse padrão, a dúvida instala-se. Será que estamos a
falhar? Será que estamos a viver “menos” do que devíamos?
Falo por mim e pelas minhas amigas.
Temos gostos diferentes dos da maioria da nossa geração. Não nos identificamos
com a ideia de sair todas as semanas, de beber até esquecer, de procurar
experiências intensas só porque são intensas. Preferimos conversas longas,
ambientes mais calmos, momentos que não são necessariamente instagramáveis, mas
que nos preenchem. Às vezes parece que vivemos “ao contrário” daquilo que se
espera nesta idade.
E é aí que surge a pergunta: e se
estivermos a desperdiçar esta fase? E se, daqui a uns anos, olharmos para trás
e acharmos que devíamos ter arriscado mais, vivido mais, saído mais da zona de
conforto?
Depois de pensar bastante, cheguei à
conclusão que talvez seja exatamente o contrário.
Talvez o verdadeiro desperdício esteja
em viver uma vida que não é nossa, só para caber nas molduras alheias. Talvez o
desperdício esteja em ignorar o que nos faz bem, só para seguir um guião que
nunca escrevemos. Escolher com consciência - mesmo que seja escolher o silêncio
em vez da festa, a rotina em vez da adrenalina, o aprofundar em vez do expandir
- pode ser a forma mais genuína de aproveitar esta fase.
Os 20s não têm de ser uma década
barulhenta para serem significativos. Podem ser o início de uma estabilidade
emocional, da construção de algo com raízes e do autoconhecimento que sustenta
tudo o resto.
Viver bem não é viver como os outros. É
viver como somos, com aquilo que nos faz sentido. E se for isso que estamos a
fazer, então talvez estejamos exatamente onde devíamos estar.



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