É possível crescer sem sentir desconforto?
Este artigo é
principalmente para mim. E talvez também para ti, se fores daquelas pessoas que
precisam de se relembrar, de vez em quando, que crescer dói. Que a evolução
raramente acontece no conforto. E que, por mais que custe, é no desconforto que
a vida nos mostra do que somos feitos.
Quantas vezes deixamos de fazer alguma
coisa por medo do resultado? Evitamos meter conversa com alguém por acharmos
que não vai dar em nada. Adiamos candidaturas porque ainda não nos sentimos
“suficientemente bons”. Guardamos projetos na gaveta, ideias na cabeça ou
sentimentos no p
eito. Tudo por medo de falhar, de sermos rejeitados ou
simplesmente de não estarmos à altura.
Mas há uma verdade que me tenho forçado
a repetir: é melhor a certeza de um não do que a incerteza de um sim.
Mesmo que seja desconfortável meter conversa com aquela pessoa. Mesmo que te
sintas ridículo a mostrar o que criaste. Mesmo que estejas nervoso antes de dar
um passo fora da tua zona de conforto. Porque a dúvida paralisa. E o
desconforto, por mais difícil que seja, pelo menos movimenta.
A zona de conforto tem um nome
simpático, mas é traiçoeira. Porque lá dentro nada acontece de verdade. Ficas
seguro, mas estagnado. E o que é que nos custa mais, a longo prazo? O
desconforto momentâneo ou a estagnação permanente?
É fora dessa bolha que se cresce. Não
precisa de ser com grandes gestos. Às vezes, é em coisas simples: dizer “não”
pela primeira vez a algo que te magoa, ir sozinho a um sítio ou admitir que não
sabes o que estás a fazer mas queres tentar. Essas pequenas dores e esse
friozinho na barriga - isso é crescimento em estado bruto.
E é importante perceber: sentir medo
ou desconforto não significa que estás no caminho errado. Na verdade,
muitas vezes é o contrário. Significa que estás a sair do que é seguro para te
aproximares do que é verdadeiro. O desconforto não é um sinal de fraqueza. É
sinal de que te importas. Que queres mudar. Que estás vivo.
No fundo, este texto é um lembrete - um
daqueles que se guardam num bloco de notas ou se releem numa noite mais
hesitante: o desconforto é necessário. E, mais ainda, é precioso. Porque tudo o
que vale a pena exige que saias de ti. Que arrisques um pouco. Que falhes, às
vezes. Mas que continues.
Não é fácil. Mas é assim que se cresce.
E pode demorar. Mas vale sempre a pena.



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