Porque é tão difícil mostrar o que escrevemos?
Escrever é, muitas vezes, mais
do que juntar palavras numa ordem bonita. Para quem escreve, um texto é como
uma extensão daquilo que se pensa, sente ou imagina - e partilhá-lo com alguém
pode parecer um ato de coragem. À primeira vista, pode até parecer simples:
"é só mostrar um texto". Mas, na prática, mostrar o que escrevemos é,
para muitos, um verdadeiro exercício de exposição emocional. É quase como
despir a alma em público e torcer para que ninguém ria, critique ou s
e afaste.
Um dos primeiros medos que surgem é o de mostrar textos a amigos, à família ou ao público em geral. Existe uma insegurança natural em partilhar algo que, mesmo que não seja autobiográfico, tem sempre um pedaço de nós. O receio é que os outros não entendam, não valorizem ou, pior ainda, interpretem mal o que escrevemos. Às vezes, há também o medo de que pensem que estamos a falar diretamente deles - e isso pode fazer com que guardemos os textos apenas para nós.
Depois, há o medo de não sermos “bons o suficiente”. O mundo está cheio de escritores incríveis, livros premiados, estilos únicos e vozes tão marcantes que nos fazem duvidar da nossa. Essa comparação constante pode levar à paralisia criativa. Temos medo que nos critiquem, que gozem ou que nos ignorem. E essa é talvez uma das dores mais difíceis: escrever algo com esforço e sinceridade, e não receber qualquer resposta - como se aquilo que escrevemos fosse invisível.
Submeter um texto a uma editora ou a um concurso, por exemplo, é outra camada de exposição que assusta. Quando recebemos uma rejeição, não é só o texto que sentimos que está a ser recusado: somos nós. A nossa escrita está inevitavelmente ligada à nossa identidade, por isso é difícil separar o “não aceitaram este texto” do “não me aceitaram a mim”.
E há ainda uma outra questão, mais subtil, mas muito presente: a sensação de que, ao expor o que escrevemos, estamos a expor uma parte nossa que pode ser mal interpretada. Porque mesmo que o texto não revele factos concretos sobre a nossa vida, ele revela visões, emoções ou sensibilidades. E a verdade é que temos medo de sermos vistos com demasiada nitidez - especialmente quando nem nós próprios temos certezas sobre tudo o que sentimos ou pensamos.
Este é, talvez, o ponto de ligação para a próxima reflexão: porque é que escrever é, muitas vezes, um ato de tanta vulnerabilidade?
Essa será a base do próximo artigo: “E se me conhecerem antes de eu me apresentar?”
e afaste.
Um dos primeiros medos que surgem é o de mostrar textos a amigos, à família ou ao público em geral. Existe uma insegurança natural em partilhar algo que, mesmo que não seja autobiográfico, tem sempre um pedaço de nós. O receio é que os outros não entendam, não valorizem ou, pior ainda, interpretem mal o que escrevemos. Às vezes, há também o medo de que pensem que estamos a falar diretamente deles - e isso pode fazer com que guardemos os textos apenas para nós.
Depois, há o medo de não sermos “bons o suficiente”. O mundo está cheio de escritores incríveis, livros premiados, estilos únicos e vozes tão marcantes que nos fazem duvidar da nossa. Essa comparação constante pode levar à paralisia criativa. Temos medo que nos critiquem, que gozem ou que nos ignorem. E essa é talvez uma das dores mais difíceis: escrever algo com esforço e sinceridade, e não receber qualquer resposta - como se aquilo que escrevemos fosse invisível.
Submeter um texto a uma editora ou a um concurso, por exemplo, é outra camada de exposição que assusta. Quando recebemos uma rejeição, não é só o texto que sentimos que está a ser recusado: somos nós. A nossa escrita está inevitavelmente ligada à nossa identidade, por isso é difícil separar o “não aceitaram este texto” do “não me aceitaram a mim”.
E há ainda uma outra questão, mais subtil, mas muito presente: a sensação de que, ao expor o que escrevemos, estamos a expor uma parte nossa que pode ser mal interpretada. Porque mesmo que o texto não revele factos concretos sobre a nossa vida, ele revela visões, emoções ou sensibilidades. E a verdade é que temos medo de sermos vistos com demasiada nitidez - especialmente quando nem nós próprios temos certezas sobre tudo o que sentimos ou pensamos.
Este é, talvez, o ponto de ligação para a próxima reflexão: porque é que escrever é, muitas vezes, um ato de tanta vulnerabilidade?
Essa será a base do próximo artigo: “E se me conhecerem antes de eu me apresentar?”



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