Como saber se estamos a ir na direção certa?
No artigo anterior,
falei sobre o tema da evolução - pessoal, criativa, emocional - e sobre os
sinais, por vezes subtis, que indicam que estamos a crescer. Mas há uma
pergunta que continua a surgir: no meio de tantas dúvidas, como podemos saber
se estamos mesmo no caminho certo?
A verdade é que a evolução nem sempre
se sente. Muitas vezes, ela acontece em silêncio. Enquanto procuramos provas
visíveis de que
estamos a avançar, esquecemo-nos de que alguns dos maiores
progressos acontecem nos bastidores. É como alguém que treina todos os dias e
só nota os resultados quando olha para uma foto antiga. Às vezes, confundimos
estagnação com consolidação. E, por mais estranho que pareça, firmar terreno
também é evoluir.
Ter dúvidas não significa que estamos a
falhar. Pelo contrário, pode significar que deixamos de agir no piloto
automático. Passamos a questionar mais, a querer perceber melhor e a não
aceitar qualquer resposta. Isso é crescimento. E o simples facto de estarmos a
perguntar “será que isto faz sentido?” já demonstra consciência. Já mostra que
nos importamos com o caminho - e não apenas com o destino.
E se o “caminho certo” não for um só?
Esperamos muitas vezes validações externas - seja um elogio, um número, uma
oportunidade - para saber se estamos no rumo certo. Mas talvez o verdadeiro
critério seja: “isto faz sentido para mim agora?” Nem sempre vamos sentir
clareza ou certeza. Mas se algo em nós encontra paz ou entusiasmo naquela
direção, talvez isso seja o suficiente.
E há sinais, mesmo que pequenos, de que
estamos a crescer: quando já não reagimos como antes. Quando percebemos que
certas críticas já não nos afetam da mesma forma. Quando deixamos de tentar
agradar toda a gente. Quando temos mais clareza sobre o que nos faz bem. Ou,
até, quando olhamos para o nosso trabalho com um novo olhar - mais exigente,
sim, mas também mais empático.
Nos projetos criativos, a evolução nem
sempre se traduz em algo mais complexo ou grandioso. Às vezes, escrevemos algo
mais simples, mas com mais verdade. Com mais presença. Com mais maturidade
emocional. Pode parecer um passo atrás no estilo, mas é, na verdade, um passo
em frente na autenticidade.
Por isso, talvez a pergunta não deva
ser “como sei se estou a evoluir?”, mas sim: “o que mudou em mim desde a última
vez que me fiz esta pergunta?” Crescer não é deixar de ter dúvidas. É aprender
a andar com elas, sem deixar que nos paralisem. E, talvez, aceitar que já
estamos a evoluir - mesmo quando ainda não conseguimos ver.



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