Como saber se estamos a evoluir?
Esta é uma daquelas
perguntas que podem surgir do nada, no meio de uma conversa ou no silêncio de
um dia normal. Crescemos, mudamos, fazemos esforços para sermos melhores. Mas
como saber se isso está realmente a acontecer? Como medir a evolução - seja ela
pessoal, emocional ou criativa - quando os resultados não são tão óbvios como
uma fotografia de antes e depois?
O crescimento físico é simples de
perceber. Há provas visíveis: aumentamos de altura, mudamos de aspeto,
acumulamos aniversários. Mas o crescimento mental e emocional é muito mais
subtil. Às vezes, nem nós mesmos damos conta de que evoluímos, até que nos
deparamos com uma situação que no passado nos de
ixaria sem chão - e agora
conseguimos lidar com mais leveza, consciência ou até humor.
Talvez seja aí que começam os sinais:
na forma como nos tratamos, como reagimos aos outros, como lidamos com as
nossas próprias falhas. Crescer emocionalmente não significa nunca mais errar,
mas perceber que já não somos os mesmos de ontem. Que temos mais ferramentas,
mais filtros e mais paciência.
No campo criativo, esta dúvida também
aparece. Estamos a escrever melhor do que antes? Estamos a criar algo novo ou
só a repetir fórmulas que funcionaram? Quando terminamos um novo livro, por
exemplo, é fácil compará-lo ao anterior e pensar: "Será que evoluí ou
apenas mantive o nível?" Mas talvez a resposta não esteja na complexidade
do enredo, nem na quantidade de páginas. Talvez esteja na intenção por trás de
cada detalhe, no cuidado com a linguagem ou na coragem de arriscar caminhos
menos óbvios.
Há uma armadilha silenciosa na
tentativa de evoluir: procurar validação externa. Esperar que alguém nos diga
que estamos melhores, que já crescemos ou que temos talento. Mas a evolução
verdadeira não se mostra para os outros - sente-se, aos poucos, por dentro.
Uma forma útil de percebermos o quanto
já andamos é comparar-nos connosco. Olhar para textos antigos e perceber que
hoje os escreveríamos de outra forma. Recordar atitudes e saber que agora
agiríamos de maneira diferente. Ter mais clareza sobre o que queremos, ou mais
coragem para dizer o que não queremos.
A verdade é que a evolução raramente
vem com aplausos. Às vezes, vem no silêncio de um "não" dito com
firmeza. Noutras, no aceitar de uma crítica sem nos desfazermos por dentro. E
noutras ainda, na tranquilidade de saber que nem tudo precisa de resposta
imediata.
Se nos perguntamos se estamos a
evoluir, isso já é um sinal claro de que estamos atentos ao processo. E estar
atento é, por si só, uma forma de crescer.



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