Moonsland: Making of
Quando escrevi Moonsland,
nunca pensei que fosse, de facto, acabar o livro. Na verdade, comecei sem saber
bem o que estava a fazer. Este artigo serve exatamente para isso: partilhar os
bastidores de um processo que me ensinou tanto, mostrar curiosidades e revelar
algumas inspirações que estão por trás das páginas. Aviso desde já - se ainda
não leste o livro, este texto contém spoilers.
A primeira ideia
A primeira “ideia”
foi quase nenhuma. Lembro-me de simplesmente começar a escrever, sem rumo
certo. Tinha algumas cenas soltas na cabeça, e imaginava a minha escola como o
cenário principal. Na prática, nada disso sobreviveu ao tempo. Foi só com o
passar dos dias - e com a ajuda da minha criatividade, que finalmente começou a
funcionar - que as peças foram-se juntando.
Quando comecei mesmo a escrever o
livro, queria abrir com algo forte. Escolhi, então, escrever aquilo que estava
a sentir naquele dia. Isso deu origem ao tom mais introspetivo da primeira
página. O resultado? O James, o protagonista, acabou por herdar algumas
características minhas - não todas, mas o suficiente para ser quase um reflexo
daquilo que eu vivia.
A cidade onde tudo acontece também
nasceu de uma limitação prática: a preguiça de pesquisar distâncias reais entre
cidades. Pensei: “Se eu inventar uma cidade, não preciso de me preocupar com a
logística.” E assim nasceu Moonsland e Mandsvield - duas cidades separadas por
uma floresta, rodeadas por montanhas que, no mapa que imaginei, formam a figura
de uma lua. As duas cidades surgiram já com uma ideia futura em mente - aquela
que hoje é o meu terceiro livro, ainda em progresso. E a lua... a lua era algo
muito presente no namoro que vivia na altura.
Aliás, foi essa mesma pessoa, uma
leitora ávida, que me incentivou constantemente a não desistir deste projeto.
Mesmo tendo terminado o livro já depois da nossa relação chegar ao fim (pela
segunda e última vez), achei justo incluí-la nos agradecimentos. Ela lia o que
eu escrevia e dava sugestões. Eu, por minha vez, ia avançando, cena a cena,
escrevendo aquilo que os próprios personagens exigiam.
Se era preciso uma discussão? Escrevia.
Um momento calmo? Escrevia também. O processo foi, de certa forma, orgânico -
quase como se eu estivesse apenas a transcrever o que eles queriam viver.
A criação dos personagens
Como já disse, o
James tem partes de mim. O seu passado e certas características foram
inspiradas em experiências pessoais, mas não o criei como uma cópia minha.
Prefiro deixar um pedaço de mim em cada livro, para que quem me conhece possa
ir descobrindo a minha história através das histórias que escrevo.
A Emily foi criada a partir de
características idealizadas, enquanto os outros personagens foram surgindo à
medida que o enredo pedia.
O maior desafio na criação das
personagens? Os nomes. É, provavelmente, a parte que mais odeio. Sinto sempre a
necessidade de encontrar nomes que façam sentido para a personalidade de cada
personagem, o que me faz perder imenso tempo. Também é difícil criar
personagens complexos, com traços que façam sentido em conjunto e que não
pareçam forçados.
A construção do plot
Acho que os maiores
pontos de viragem na história foram dois: o acidente de carro do James e a
revelação do seu passado. A revelação surgiu como forma de mostrar o impacto
que os traumas não tratados podem ter no presente. Já o acidente serviu para
abalar o leitor quando tudo parecia estar a encaminhar-se para um final
previsível.
A morte do pai, a morte da mãe - cuja
moralidade era ambígua - e a quase morte do James, foram formas de mostrar que
nem tudo corre como esperamos.
O final no coreto foi uma ideia que
tive desde o início. Sempre adorei coretos e, como ainda não tive um momento
romântico num, achei que podia vivê-lo através da escrita.
E o final aberto? Sim, foi intencional.
Questões como “Será que o James ficou com a Wilson's Industries?” ficam por
responder. É algo que quero repetir em todos os meus livros - deixar o leitor a
pensar nas infinitas possibilidades do que poderá acontecer. E, claro, também
me dá margem para voltar a usar certos personagens, caso me apeteça.
As frases que marcaram
Duas quotes em particular significam muito para mim:
- “Contigo
ao meu lado, eu aceitaria a imortalidade.”
(Easter egg: foi a resposta dele a uma conversa que o casal teve na montanha sobre o quão horrível seria ser imortal.) - “Conviver
contigo é apaixonar-me todos os dias por ti como se fosse a primeira vez.”
Ambas foram frases
que eu disse à minha namorada da época, numa noite em que estávamos exaustos,
mas ainda assim decidimos expressar o quanto nos amávamos. Guardá-las no livro
foi a forma mais bonita que encontrei de eternizar aquele momento.
O processo e as aprendizagens
Ao longo da
escrita, parei várias vezes. Tive vontade de desistir tantas outras. Chorei em
algumas partes, porque eram reais demais - eram a minha alma a escrever por
mim.
Com Moonsland, aprendi a escrever melhor. Aprendi
que nem tudo precisa de ser descrito minuciosamente - às vezes, basta mostrar
através da ação. Aprendi que sou capaz de começar e terminar um projeto desta
dimensão. E, acima de tudo, aprendi que tenho jeito para inventar histórias do
zero.
Conclusão
Moonsland foi
mais do que um livro: foi uma parte importante do meu crescimento. Se já o
leste, convido-te a comentar este artigo com as tuas partes favoritas - quero
muito saber o que ficou contigo depois de fechares a última página.
E fica atento, porque o próximo artigo será:
“Moonsland 2: Apresentação do livro”. Sim, há mais histórias para
contar.


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