Moonsland 2: Making of
Este
artigo contém spoilers de “Moonsland 2: Aluga-se Quarto No Meu Coração”. Se
ainda não leste o livro, recomendo que guardes este artigo para mais tarde. Vai
valer a pena!
Depois
de lançar o artigo de apresentação, chegou a hora de revelar os bastidores de
Moonsland 2. Este foi um livro escrito por camadas - literalmente. Não só fui
adicionando ideias à medida que escrevia, como fui descobrindo intenções e
mensagens que nem eu sabia que queria transmitir no início.
Primeira ideia: onde tudo começou
A primeira imagem
que me surgiu foi a de um casal que vivia sob o mesmo teto, mas em segredo. A
ideia de os pais dela não saberem do relacionamento parecia interessante, mas
logo percebi que isso por si só não sustentaria uma história inteira.
Faltava-lhe conflito, profundidade e um passado. Foi aí que nasceu a camada da
relação anterior entre a Emma e o Tyler. Essa relação marcada por mágoas
inacabadas tornou-se a força motriz do enredo.
Para criar mais tensão e dualidade,
introduzi o Bryce, o namorado atual da Emma - alguém que à partida representava
segurança, mas que, aos poucos, foi revelando um lado sombrio. Com esta
personagem, pude explorar um tema que me é importante: a violência no namoro.
Não a violência óbvia, mas aquela que se revela aos poucos, nas palavras, nas
atitudes e na forma como alguém tenta controlar ou diminuir o outro.
Criação de personagens
Desta vez, os
perfis dos personagens foram feitos em papel, respondendo a uma série de
perguntas para os tornar mais reais e consistentes. A Emma tem um horário
estruturado, tal como o Tyler, e essas rotinas ajudaram-me a visualizar o dia a
dia de ambos - algo que acaba por refletir-se na escrita.
O Tyler é, de certa forma, o namorado
ideal. Alguém que errou no passado, mas que demonstra respeito, maturidade e
sensibilidade. Gosto especialmente da sua postura: “Vou tentar conquistar-te,
mas se não me quiseres, eu não vou insistir.” Apesar de nunca ter capítulos do
seu ponto de vista, fiz questão de lhe dar um passado pessoal denso, para que
ele não existisse apenas em função da Emma. Também adorei explorar as vocações
dos dois - pintar e cozinhar - e quero, no futuro, dar voz a outras paixões e
talentos em novos livros.
Plot: camadas, tensão e reviravoltas
O enredo
constrói-se à volta da tensão entre passado e presente. Foi um livro onde
procurei equilibrar emoção com intensidade. E, claro, não posso deixar de
destacar o momento mais marcante: o final.
A revelação de que a mãe do Tyler
estava mais próxima do que se pensava foi pensada para deixar o leitor a
refletir. Ao contrário da minha intenção geral de não fazer continuações
diretas das histórias, este é o único caso em que admito que talvez, talvez,
haja espaço para uma parte 2 - se muita gente pedir. A verdade é que ficou
muita coisa em aberto e eu próprio fiquei com vontade de continuar. Há uma
energia entre a Emma e o Tyler que me fascina. Parece até que não sou eu que
controlo os acontecimentos - eles é que se guiam sozinhos.
Quotes e inspirações
A frase que escolhi
para representar este livro - “Eu acreditava ter alcançado o ápice da
felicidade, até me apresentarem uma nova escala.” - surgiu durante uma
introspeção pessoal. Estava a pensar no meu relacionamento e em como era
possível ter sido feliz antes dela e, mesmo assim, ter encontrado uma
felicidade ainda maior com ela. Percebi então que, talvez, a felicidade tenha
escalas que desconhecemos até alguém nos apresentar uma nova.
Curiosidades
Um fun fact que
poucos devem ter notado: na cena da galeria, quando a mãe do Tyler se apresenta
à Emma, ela diz chamar-se Sarah Harrington. O detalhe curioso? O apelido foi
inventado no momento. Ela viu a apresentação da diretora da galeria, Evelyn
Harrington, e decidiu usar o mesmo apelido para não levantar suspeitas. Um
pequeno detalhe que revela muito sobre a astúcia da personagem.
E, claro, uma cena que parece
“inofensiva” - uma interação entre Emma, a sua melhor amiga e dois jovens - é,
na verdade, uma preparação para o futuro. Esses dois jovens vão ter o seu
próprio livro. Mas por agora, é tudo o que posso dizer.
Reflexão final
Este foi um livro
que me deu um prazer enorme em escrever. As camadas, as mensagens, a tensão
sexual latente entre a Emma e o Tyler… tudo fluiu de uma forma muito especial.
É um livro que combina emoção com intensidade, romance com realidade. E, tal
como no primeiro, há sempre algo por detrás das palavras.
Se gostaste da história, fica à espera,
que em poucos meses, falo do meu terceiro livro.


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