Qual é o problema dos “Casados à primeira vista (Portugal)”?
Antes de começar,
deixo já o disclaimer: esta é apenas a opinião de um telespectador, sem
qualquer formação em Psicologia, Sociologia, Sexologia, Eneagrama ou Matching
de casais. Sou apenas doutorado em pensar demasiado - e, como tal, há coisas
neste programa que não consigo deixar passar sem comentar.
Falo, claro, do programa “Casados à
Primeira
Vista”, transmitido pela SIC. E, por mais que me entretenha a ver,
confesso que já não tenho grandes expectativas quanto a ver casais a resultarem
ali. Os motivos? Bem, são vários - e vou tentar explicar alguns que me parecem
os mais evidentes.
Comecemos logo na base: a seleção de
quem vai casar.
Cá para mim que há candidatos que
preenchem as fichas de inscrição com uma lista de características que dizem ser
importantes, mas que, no fundo, nem acreditam nelas. Seja para parecerem mais
maduros e politicamente corretos (“quero uma pessoa com bom coração, valores,
empatia…”), seja porque ainda não descobriram o que realmente procuram. Pedem
um parceiro atlético, mas depois dizem que o físico não importa. Ou pedem
alguém extrovertido e depois queixam-se que fala demais. Parece-me que há ali
confusão interna a mais para decisões tão sérias.
Depois temos o papel dos especialistas.
Se já é difícil quando os candidatos não se conhecem bem a si próprios, piora
quando os especialistas ignoram os poucos pedidos claros que fazem. Lembro-me
de uma mulher que pediu - como única exigência física - que o parceiro não
tivesse os dentes tortos. Adivinhem: colocaram-lhe alguém com os dentes tortos.
A sério. Como esperam que o casamento funcione se ignoram o básico que a pessoa
pediu?
No que toca aos comportamentos durante
o programa, há padrões que se repetem. A maioria das mulheres, quando não sente
atração física pelo marido, raramente o assume logo. Ficam à espera que algo
mude - quando, sejamos honestos, raramente muda. A atração é importante numa
relação romântica. Podemos gostar muito da personalidade de alguém, mas se não
houver aquele “clique” físico, a relação tende a ir pelo mesmo caminho que foi
a maioria das que passaram pelo programa: o da separação.
Do lado dos homens, o erro mais comum é
o oposto: acham que, por estarem casados, não precisam de conquistar a mulher.
Entram com a expectativa de uma relação já feita, com toque, abraços e tudo o
resto incluído. Como se fosse só assinar o contrato e já está. Esquecem-se de
um detalhe: a outra pessoa também precisa de se sentir desejada e segura. E
não, não é por terem casado numa cerimónia televisiva que o amor vai aparecer
por magia.
Para mim, o maior problema do programa
continua a ser o tabu em torno do físico. Já ouvi especialistas a dizer que a
química pode surgir com o tempo, à medida que se conhece a personalidade. E
sim, até posso admitir que isso aconteça nalguns casos. Mas, na maioria das
situações, acho que é o contrário: se houver uma atração inicial, e a
personalidade for incrível, a pessoa torna-se ainda mais bonita aos nossos
olhos. Agora… se a primeira reação for “não acho nada atraente”, isso não vai
mudar, por mais engraçado ou gentil que o outro seja. A falta de atração física
é um bloqueio difícil de ultrapassar - e ninguém deveria ter vergonha de o admitir.
No fundo, o programa até podia ter
potencial. Mas enquanto continuar a escolher mal, ignorar pedidos específicos e
fingir que o aspeto físico não tem grande peso… vai continuar a ser mais sobre
divórcios à primeira oportunidade do que casamentos à primeira vista.
E tu… que opinião tens sobre o assunto?



Comentários
Enviar um comentário