E se, mais do que dar conselhos ou ter razão, o que realmente aproximasse as pessoas fosse a capacidade de fazer a pergunta certa?

  Já todos vivemos aquele momento desconfortável em que nos dizem “está tudo bem?” e sentimos que a pergunta é só uma formalidade. Não é que quem pergunta não goste de nós. Mas nem sempre há espaço, paciência ou intenção real de ouvir. E isso sente-se.
  Este texto é uma reflexão sobre como boas perguntas podem mudar conversas, relações e até a forma como nos entendemos a nós mesmos. Porque há perguntas que se fazem com os ouvidos - e outras que se fazem com o coração.
  Há dias em que alguém pergunta “Tudo bem?” e nós respondemos automaticamente “Sim”. Mas lembro-me de uma vez em que alguém me perguntou apenas “Como estás?” - e eu, instintivamente, respondi “Bem”. Mas a pessoa não se ficou por aí. Ela olhou para mim e disse: “A sério, como estás?”. E aquilo, que parece simples, teve um impacto gigante. Não porque eu estivesse desesperado por contar tudo, mas porque soube que aquela pergunta era feita com presença. Com atenção. E com in
teresse real.
  Há perguntas que quebram silêncios. Que evitam julgamentos. Que ajudam alguém a organizar pensamentos. Que nos fazem dizer coisas que já estávamos a precisar tirar cá para fora. Por vezes, não é preciso ter as palavras certas para consolar ou aconselhar alguém. Basta perguntar: “O que estás a sentir?”, “Queres falar sobre isso?”, “Sentes que estás a ser justo contigo?”.
  E, outras vezes, há perguntas que parecem uma leitura à nossa mente. Como se alguém tivesse entrado dentro de nós e traduzido algo que ainda nem nós tínhamos verbalizado. E é nessas alturas que percebemos o quanto uma pergunta pode ser poderosa.
  Claro que não é só aos outros que devemos perguntar. Já falei noutros artigos sobre o poder do autoconhecimento e a importância de nos interrogarmos com honestidade.
“Estou mesmo feliz?”, “Tenho medo de quê?”, “O que me está a impedir de dar o próximo passo?” - são perguntas que podem parecer simples, mas que exigem coragem. Porque nem sempre estamos preparados para as respostas que surgem.
  E, como num exame, há perguntas que conseguimos responder na hora… e outras que precisam de mais tempo. Que ficam a maturar. Que voltam mais tarde. E está tudo bem com isso. Nem todas as respostas precisam de ser imediatas.
  No fundo, perguntar é cuidar. Perguntar é querer estar. É dizer “estou aqui” de outra forma.
  É também uma ótima forma de começar uma conversa com alguém com quem não sabemos como falar - e, às vezes, basta uma boa pergunta para dar início a uma ligação que não sabíamos precisar.
  No fim, talvez o verdadeiro poder não esteja apenas em saber que perguntas fazer, mas em saber ouvir a resposta com genuína curiosidade. Porque fazer uma pergunta certa é só metade do caminho - a outra metade está na arte de ouvir sem preparar uma resposta.
Mas isso… já é tema para outro artigo.
E tu… és capaz de fazer as perguntas certas?


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