Confiança ou insegurança: como se distingue?
Há uns dias, falei dos Casados
à Primeira Vista e este tema ocorreu-me enquanto via um dos episódios.
Durante um dos jantares de compromisso, um participante entrou de forma tão
expansiva e confiante que chegou a parecer totalmente deslocado. Estava com um
ar tão energético, seguro de si e até quase brincalhão - que pensei: “Mas que postura
vem a ser esta?”. Só depois percebi que, na verdade, ele estava era
completamente desconfortável com o que podiam dizer dele. Afinal, era a segunda
vez que participava no programa, e sentia-se julgado por isso. A tal “super
confiança” era, afinal, só uma defesa. Uma máscara.
E esse episódio ficou a ecoar na minha cabeça. Quantas vezes nos enganamos com as primeiras impressões? Quantas vezes achamos que alguém é seguro de si, frio, convencido, frágil ou até fútil… só com base na imagem que nos passa nos primeiros minutos?
Costumamos acreditar que conseguimos ler as pessoas bem. Que dá para perceber logo ao início se alguém é confiável, divertido, instáv
el ou arrogante. Mas, na verdade, o que estamos a avaliar muitas vezes não é quem a pessoa é - mas sim a forma como ela lida com o desconforto, com a necessidade de aceitação ou com o medo de rejeição.
Há quem se proteja atrás de piadas. Quem nunca? Transformamos inseguranças em graça, desconforto em ironia, e evitamos vulnerabilidades com sorrisos bem colocados. Há quem, por medo de não ser suficiente, exagere nos gestos, nos risos, nos filtros. E há ainda quem esteja sempre a ajudar os outros porque, lá no fundo, tem medo de ser um fardo se pedir ajuda.
E quando essa máscara não nos parece artificial? Quando alguém entra num grupo e nos parece confiante - mas de uma forma suave, natural? Acreditamos logo. Não por mal. Mas porque estamos programados para isso. O nosso cérebro julga o livro pela capa porque é mais rápido e, tecnicamente, mais eficiente. Mas, tal como nas redes sociais, estamos muitas vezes só a ver uma parte - a parte que a pessoa decidiu mostrar.
Na realidade, a verdadeira confiança raramente entra a anunciar-se. Ela não precisa de se fazer notar, porque não está à procura de aprovação. A confiança autêntica tende a ser discreta, segura em silêncio e manifesta-se em atitudes consistentes, não em discursos grandiosos. Paradoxalmente, é muitas vezes quando algo ou alguém nos parece “demasiado confiante” que devíamos parar para pensar: será mesmo? Ou será apenas uma tentativa de compensar uma insegurança que ainda não foi resolvida? A verdade é que, se nos parece confiante, talvez não o seja. Porque quem realmente é, não precisa de parecer.
Isto não é um apelo à desconfiança. É só um convite à dúvida gentil. Ao benefício da dúvida. Porque a verdade é que, muitas vezes, por detrás daquela pessoa que fala alto, está alguém que tem medo de não ser ouvido. E por trás daquela que parece fria, está alguém que já se magoou por se mostrar vulnerável.
Quem somos, de verdade, raramente se vê à primeira vista. E talvez essa seja uma das maiores razões para aprendermos a ver e ouvir melhor, como dito nos últimos artigos.
E tu… costumas acreditar nas máscaras que as pessoas escolhem mostrar?
E esse episódio ficou a ecoar na minha cabeça. Quantas vezes nos enganamos com as primeiras impressões? Quantas vezes achamos que alguém é seguro de si, frio, convencido, frágil ou até fútil… só com base na imagem que nos passa nos primeiros minutos?
Costumamos acreditar que conseguimos ler as pessoas bem. Que dá para perceber logo ao início se alguém é confiável, divertido, instáv
el ou arrogante. Mas, na verdade, o que estamos a avaliar muitas vezes não é quem a pessoa é - mas sim a forma como ela lida com o desconforto, com a necessidade de aceitação ou com o medo de rejeição.
Há quem se proteja atrás de piadas. Quem nunca? Transformamos inseguranças em graça, desconforto em ironia, e evitamos vulnerabilidades com sorrisos bem colocados. Há quem, por medo de não ser suficiente, exagere nos gestos, nos risos, nos filtros. E há ainda quem esteja sempre a ajudar os outros porque, lá no fundo, tem medo de ser um fardo se pedir ajuda.
E quando essa máscara não nos parece artificial? Quando alguém entra num grupo e nos parece confiante - mas de uma forma suave, natural? Acreditamos logo. Não por mal. Mas porque estamos programados para isso. O nosso cérebro julga o livro pela capa porque é mais rápido e, tecnicamente, mais eficiente. Mas, tal como nas redes sociais, estamos muitas vezes só a ver uma parte - a parte que a pessoa decidiu mostrar.
Na realidade, a verdadeira confiança raramente entra a anunciar-se. Ela não precisa de se fazer notar, porque não está à procura de aprovação. A confiança autêntica tende a ser discreta, segura em silêncio e manifesta-se em atitudes consistentes, não em discursos grandiosos. Paradoxalmente, é muitas vezes quando algo ou alguém nos parece “demasiado confiante” que devíamos parar para pensar: será mesmo? Ou será apenas uma tentativa de compensar uma insegurança que ainda não foi resolvida? A verdade é que, se nos parece confiante, talvez não o seja. Porque quem realmente é, não precisa de parecer.
Isto não é um apelo à desconfiança. É só um convite à dúvida gentil. Ao benefício da dúvida. Porque a verdade é que, muitas vezes, por detrás daquela pessoa que fala alto, está alguém que tem medo de não ser ouvido. E por trás daquela que parece fria, está alguém que já se magoou por se mostrar vulnerável.
Quem somos, de verdade, raramente se vê à primeira vista. E talvez essa seja uma das maiores razões para aprendermos a ver e ouvir melhor, como dito nos últimos artigos.
E tu… costumas acreditar nas máscaras que as pessoas escolhem mostrar?



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