O que farias se tivesses 10 anos para mudar de vida?
A ideia era simples: criar uma lista de coisas que queríamos fazer antes de chegar aos 30 anos. Não precisava de ter exatamente trinta items logo no início - e a verdade é que a minha ainda nem tem. Mas o objetivo era ter um guia, um mapa emocional e simbólico que nos lembrasse daquilo que realmente importa. Aquilo que queremos viver, experimentar, aprender ou até simplesmente riscar da lista só porque sim.
Cada item representa mais do que uma tarefa. Representa um desejo. Uma vontade de ser mais do que o quotidiano nos permite ser. Foi uma forma de sairmos do piloto automático e darmos direção à nossa vida, nem que fosse só pela intenção. Não se trata de pressão, mas de presença.
Como já disse, a minha lista ainda não chegou às trinta coisas - está com vinte e cinco, por enquanto. E honestamente? Ainda bem. Prefiro deixar espaço para desejos que ainda não descobri ou vontades que ainda hão de surgir. Não quis preencher por preencher, só para cumprir o número. Quis que cada item tivesse significado.
Dividi a lista em categorias que fazem sentido para mim. Começa com as coisas que quero fazer com a minha irmã de consideração - porque foi com ela que tudo isto começou, e porque há experiências que ganham outra magia quando são partilhadas. Coisas como mudar a cor do cabelo, ir a um escape room (já fiz), fazer voluntariado, experimentar esgrima ou viajar com amigos. Pequenas grandes aventuras que nos tiram da rotina e nos aproximam ainda mais.
Depois vêm os objetivos grandes, os que me puxam mais fundo: fazer uma cápsula do tempo para abrir no meu 30.º aniversário, escrever pelo menos um diário completo, viajar para fora do país, e claro, publicar um livro - o único item que tentei mesmo com toda a força (e continuo a tentar).
Na parte dos relacionamentos, há cinco objetivos muito pessoais. São demasiado íntimos para partilhar, mas estão lá - porque também fazem parte de quem quero ser, e de como quero viver as minhas relações até aos 30.
Depois há as “coisas de jovens”, aquelas que talvez pareçam insignificantes, mas que representam a leveza que tantas vezes me esqueço de viver. Como rasgar um teste logo após o receber (já fiz), ir a uma festa do pijama (já fiz), ir a um concerto, fazer-me à estrada com um amigo sem destino, ou fica
r acordado a noite toda num evento.
E por fim, há as skills e objetivos mais práticos, mas igualmente importantes para mim: melhorar o meu físico, ler os livros do Harry Potter (sim, tenho todos e ainda não li nenhum), aprender a tocar piano, lutar, cantar e desenhar. Coisas que quero saber fazer - não para me tornar mestre, mas porque sou adepto do conhecimento e dessas atividades.
Engraçado como, de todos estes itens, só risquei três: o teste rasgado, o escape room e a festa de pijama. Mas o único que tentei com todo o coração foi publicar um livro - provavelmente o mais difícil de todos. E é curioso pensar nisto: como muitas vezes nos sabotamos mais com os sonhos simples do que com os mais ambiciosos.
“Vale a pena fazer uma lista destas?”
Se acho que toda a gente devia ter uma
lista de coisas para fazer antes dos 30? Não necessariamente. Acho que toda a
gente devia fazer isto se sentir que faz sentido. Se for só para cumprir
ou seguir uma moda, vai acabar por gerar frustração. Mas se sentires que uma
lista destas te pode ajudar a perceber melhor quem és e onde queres chegar…
então vai em frente.
A lista não precisa de ter trinta items.
Nem precisa de ser para os 30. Pode ser para os 25, os 40, ou sem idade
nenhuma. (Eu coloquei 30, porque é uma idade que, como já referi noutro artigo,
quero ter estabilidade e ter uma família, então quero fazer tudo antes de
chegar lá.) O que importa é que cada objetivo lá dentro te diga alguma coisa.
Que te entusiasme, te desafie ou te reconecte contigo próprio.
Para mim, foi uma forma de me lembrar
do tipo de vida que realmente quero viver: uma vida com mais intenção, com mais
presença e com mais vontade. Mesmo que risque apenas metade, ou até menos… já
valeu a pena escrever.
Se estiveres a pensar fazer uma, começa
com três coisas. Três coisas que sabes que queres fazer. O resto vai
aparecendo.
E se quiseres partilhar alguma delas
comigo, sabes onde me encontrar.



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