Falar sobre sentimentos ainda é tabu?


  Durante muito tempo, mostrar sentimentos foi visto como um sinal de fraqueza. Homens que choravam eram fracos, mulheres que falavam do que sentiam eram dramáticas, e qualquer um que expressasse mágoas era acusado de “fazer-se de vítima”. O resultado? Gerações inteiras a esconder o que sentem, a calar dores, frustrações, mágoas e até amor - tudo para não parecerem vulneráveis.
  Cresci a ver esse contraste em casa. A minha mãe sempre foi muito expressiva - chora à frente de quem for preciso, nunca teve problemas em mostrar o que sente. Já o meu pai, nunca o vi verter uma lágrima. Nem em filmes, nem em funerais. E cresci com os dois modelos diante de mim: um onde a emoção é liberdade, e outro onde ela é contenção.
  A verdade é que, pessoalmente, sempre tive alguma dificuldade em falar sobre sentimentos, como já referi em artigos anteriores. Mas uma coisa que aprendi e em que acredito profundamente é na importância da comunicação. Se algo me magoa ou me incomoda, falo. Não há forma de resolver conflitos se não houver diálogo. E, ainda assim, já perdi relações importantes exatamente pela falta dele.
  O meu grande amigo - aquele que conheci online e com quem partilhei tanto - desapareceu da minha vida por nunca ter falado quando algo o incomodava. E eu não adivinho. Outro exemplo foi uma amiga próxima que, por se ter sentido magoada numa situação, guardou para si durante meses, e só me contou quando eu a convidei para o meu aniversário e ela recusou, dizendo que havia algo mal resolvido. Eu estive disponível para falar, mas ela nunca marcou esse momento. Acabamos por seguir caminhos diferentes. E tudo isso podia ter sido evitado com uma simples conversa.
  É por isso que digo: falar sobre sentimentos ainda é tabu - mas não devia ser. Porque ao engolirmos as emoções para manter a aparência ou evitar conflitos, vamos acumulando coisas que acabam por explodir mais tarde. E pior: acabamos a perder pessoas por não termos tido coragem de falar com elas.
  Ainda por cima, eu até entendo que, com certas pessoas, se tenha receio de falar - há quem seja mais sensível e quem leve tudo a peito. Mas eu sempre fui muito direto com isso. Sempre disse a quem me conhece: “Se tiveres algum problema comigo, fala-me logo na cara.” Eu não tenho problema com isso. Eu digo muita coisa na minha vida - se eu conseguisse não magoar ninguém no meio de tantas palavras, era deus. É natural perdermos o tato numa ou noutra situação. Às vezes, até pode ser mal interpretado por quem ouve. Por isso, não me faz sentido que alguém fique magoado e não diga nada. Tal como não me faz sentido eu ficar magoado com algo e guardar para mim.
  Expressar o que sentimos não é um sinal de fraqueza - é um ato de coragem. E, acima de tudo, é um passo essencial para relações saudáveis, seja connosco, seja com os outros.

E tu… falas sobre o que sentes com quem és próximo? 

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