Existe o “para sempre”?

   Desde muito novos que nos ensinam a amar com a ideia de que o amor verdadeiro é aquele que dura para sempre. Vemos isso nos filmes, nas músicas, nos contos de fadas, e acabamos por crescer a acreditar que se uma relação não dura para sempre, então falhou. Não é apenas uma crença inocente - é quase uma programação. Quando se gosta a sério de alguém, pensar que essa pessoa pode ir embora um dia parece absurdo, impensável ou até doloroso de imaginar. E por isso, mesmo
que inconscientemente, muita gente entra numa relação com essa esperança de eternidade.
  No meu caso, eu sempre acreditei no “para sempre”. Claro que, quando era mais novo, fazia-o com a ingenuidade de quem ainda estava a aprender o que era o amor. Mas no meu último relacionamento, isso já era uma ideia mais concreta. Falávamos de filhos, de sonhos conjuntos, de planos a longo prazo - tudo isso validava essa crença. E não era uma fantasia criada só por mim; era algo que sentia partilhado. Acreditava mesmo naquilo que tinha.
  Por isso, quando acabou, fez-me confusão. Porque o “para sempre” estava na minha cabeça. E talvez este texto seja uma junção de muitos outros que já escrevi: o da dificuldade em mudar de rotina, o das expectativas defraudadas, o da ausência de um encerramento claro. É que quando o “para sempre” morre, não é só a relação que acaba - é também a vida como a conhecíamos. A rotina muda, os planos deixam de fazer sentido, e ficamos com uma espécie de vazio que é difícil de descrever.
  Ainda assim, apesar de tudo, eu continuo a acreditar que o “para sempre” é possível. Não com toda a gente, claro, nem em todos os relacionamentos. Mas acredito. E talvez precise mesmo de acreditar, porque sou romancista. Vivo de finais, mas também de inícios e meios com significado. E se algum dia deixar de acreditar nisso, então fico condenado a escrever sobre relações que nunca sobrevivem - e eu quero mais do que isso.
  A verdade é que hoje, se me voltasse a apaixonar, já não ia romantizar tanto o “para sempre”. Ia entrar numa relação a saber que pode acabar. Não com pessimismo, mas com realismo. E, por isso mesmo, o meu foco seria torná-la inesquecível, prazerosa e cheia de aprendizagem enquanto durasse. Porque talvez o que importa mesmo não é durar para sempre, mas marcar para sempre.
E tu… acreditas no “para sempre”?

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