É preciso ter medo da terapia?
Durante muito
tempo, a ideia de procurar um psicólogo ou psiquiatra foi associada a algo
negativo. Era como um rótulo - “isso é coisa de maluco”. Esta visão
estigmatizante teve origem em décadas em que os problemas mentais eram tratados
como fraquezas de caráter ou desajustes sociais, frequentemente escondidos ou
reprimidos. Os próprios meios de comunicação ajudaram a alimentar essa imagem:
personagens instáveis em filmes, hospícios retratados como prisões e terapeutas
vistos como última solução para casos extremos.
Hoje, a saúde mental já tem mais espaço, mas o medo da terapia continua presente em muitas pessoas. Porquê?
Primeiro, porque admitir que precisamos de ajuda pode ser assustador. Vivemos numa cultura que valoriza a autonomia, a força e a independência. Pedir ajuda pode parecer sinal de fraqueza, quando na verdade é o contrário.
Em segundo lugar, muitas pessoas têm medo do que vão encontrar dentro de si. A terapia é, antes de tudo, um espelho: obriga-nos a olhar com atenção para o que preferimos ignorar. E, por fim, há o medo do julgamento - não só do terapeuta (o que é raro, pois são profissionais preparados para acolher), mas principalmente dos outros ou até de nós mesmos.
Falo disto com conhecimento de causa. Eu próprio já tive preconceito com psicólogos. Tal como muita gente, associava-os à ideia de “gente maluca”. Mas, num momento em que estava mesmo em baixo, decidi procurar a psicóloga da escola que frequentava - e ajudou-me imenso. Curiosamente, nem foi tanto pela psicóloga em si (porque ela partilhava também os seus problemas comigo, talvez pela minha empatia), mas pelo simples facto de falar. Pôr para fora. Ser ouvido.
E é isso que muitos não entendem: a terapia não é só para quem tem um transtorno diagnosticado. É para quem sente que precisa de se entender melhor, de encontrar sentido e de reorganizar o caos interno. Às vezes, não é a solução em si, mas o início do caminho para lá chegar.
O conselho que dou é simples: se achas que estás a precisar de ajuda, vai a um psicólogo ou a um psiquiatra. Não esperes que a dor se torne insuportável para agir. Porque não, não é só “para os malucos”. E porque o primeiro passo para resolver um problema é, sempre, admitir que o temos.
Hoje, a saúde mental já tem mais espaço, mas o medo da terapia continua presente em muitas pessoas. Porquê?
Primeiro, porque admitir que precisamos de ajuda pode ser assustador. Vivemos numa cultura que valoriza a autonomia, a força e a independência. Pedir ajuda pode parecer sinal de fraqueza, quando na verdade é o contrário.
Em segundo lugar, muitas pessoas têm medo do que vão encontrar dentro de si. A terapia é, antes de tudo, um espelho: obriga-nos a olhar com atenção para o que preferimos ignorar. E, por fim, há o medo do julgamento - não só do terapeuta (o que é raro, pois são profissionais preparados para acolher), mas principalmente dos outros ou até de nós mesmos.
Falo disto com conhecimento de causa. Eu próprio já tive preconceito com psicólogos. Tal como muita gente, associava-os à ideia de “gente maluca”. Mas, num momento em que estava mesmo em baixo, decidi procurar a psicóloga da escola que frequentava - e ajudou-me imenso. Curiosamente, nem foi tanto pela psicóloga em si (porque ela partilhava também os seus problemas comigo, talvez pela minha empatia), mas pelo simples facto de falar. Pôr para fora. Ser ouvido.
E é isso que muitos não entendem: a terapia não é só para quem tem um transtorno diagnosticado. É para quem sente que precisa de se entender melhor, de encontrar sentido e de reorganizar o caos interno. Às vezes, não é a solução em si, mas o início do caminho para lá chegar.
O conselho que dou é simples: se achas que estás a precisar de ajuda, vai a um psicólogo ou a um psiquiatra. Não esperes que a dor se torne insuportável para agir. Porque não, não é só “para os malucos”. E porque o primeiro passo para resolver um problema é, sempre, admitir que o temos.



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