Ser vulnerável é sinal de força ou falta dela?
Crescemos muitas
vezes com a ideia de que vulnerabilidade é um defeito, como se fosse uma falha
no nosso sistema de def
esa emocional. Ainda mais se fores homem. Desde cedo,
ouvimos frases como “os homens não choram” ou “tens de ser forte”.
Vulnerabilidade, nesse contexto, é quase vista como um crime emocional. Para as
mulheres, o cenário é diferente, mas não necessariamente mais fácil. Espera-se
que elas sejam sensíveis, sim, mas que saibam manter a compostura, que não
dramatizem ou que não “exagerem”. No fundo, a vulnerabilidade é permitida...
desde que controlada.
No meu caso, sou o tipo de pessoa que
sente um nó na garganta, mas engole em seco. Que até fala de assuntos difíceis,
mas quase sempre com uma piada no meio - talvez para aliviar o peso, talvez
para esconder o que realmente estou a sentir. Nunca fui de chorar à frente de
ninguém. E ser vulnerável ainda me parece, em muitos momentos, um risco grande
demais. Porque, na minha cabeça, mostrar essa parte de mim é como deixar uma
porta entreaberta para que entrem… e eventualmente destruam tudo lá dentro.
Mas há um detalhe importante:
vulnerabilidade não é descontrole, nem é fraqueza. É honestidade. E talvez o
verdadeiro ato de coragem esteja mesmo aí - em admitir que não estamos bem, que
algo nos magoa e que temos limites. Ser vulnerável não é dizer tudo a toda a
gente, mas sim saber com quem e quando mostrar o que vai cá dentro.
Vulnerabilidade pode criar pontes.
Aproxima-nos. Humaniza. E embora não seja uma linguagem fácil de aprender,
talvez valha a pena tentar. Nem que seja aos poucos, nem que seja com medo, mas
com a consciência de que partilhar não nos diminui - apenas nos revela.
E tu… costumas mostrar o teu lado
mais vulnerável?



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