Que tipo de pessoa quero ser?

   Antes de definir o tipo de pessoa que quero ser, achei justo parar e perguntar-me: quem sou hoje?
  Realisticamente, sou alguém que valoriza profundamente a empatia, a lealdade e, acima de tudo, a verdade. Gosto de acreditar que tenho sido coerente com aquilo que defendo - não apenas com palavras, mas com ações. Vivo em piloto automático, mas tento mudar isso aos poucos, e não me escondo atrás de desculpas: se erro, reconheço. E embora pedir desculpa ainda me custe, tenho feito um esforço consciente para quebrar esse bloqueio emocional.
  Durante muito tempo, tive dificuldade em lidar com críticas. Mas hoje, sou alguém que as procura. Genuinamente. Quero melhorar, crescer e evoluir. Curiosamente, o que me custa mais é aceitar elogio
s - talvez porque penso que, muitas vezes, são apenas uma tentativa de não me magoar. Mas mesmo isso é algo que tenho tentado ressignificar.
  Não sou alguém que guarda mágoas. Aprendi há muito que isso só consome quem as carrega. E, por mais contraditório que possa parecer, mesmo sendo alguém fechado, carrego um coração disponível para os outros.
  Quando estou em baixo, normalmente já estou sozinho. Gosto de silêncio. De introspeção. Às vezes, deixo-me simplesmente estar. Ouço algo triste e choro - se conseguir. Como já referi noutro artigo, custa-me ser vulnerável. Tenho espaço para mostrar emoções, sim, mas raramente o faço. Prefiro suavizar tudo com uma piada ou uma distração qualquer. Talvez não por vergonha, mas por proteção.
  Hoje, sou alguém que se sente mais verdadeiro a sós ou ao lado de pessoas que me conhecem a fundo. Não perco tempo com relações que não me acrescentam - e não é por frieza, mas por consciência. Acredito em amizades profundas e em trocas que nutrem. E quando me dou a alguém, dou com tudo.
  Enquanto parceiro, quero ser apoio constante. Aquele que não se afasta nos momentos difíceis, mas se aproxima. Que cuida, compreende e dá espaço. Talvez precise de trabalhar a minha necessidade de validação, porque sei que isso pode pesar numa relação. Mas sei também o que ofereço: presença, incentivo e verdade.
  Como amigo, quero estar sempre na primeira fila das conquistas. A aplaudir com o mesmo entusiasmo com que eu próprio gostaria de ser aplaudido. E, nos momentos escuros, quero estar no palco e ser o ombro firme. A mão estendida. O olhar que entende e não julga.
  Como filho, quero fazer os meus pais sentirem que tudo valeu a pena. Mesmo que às vezes digam que se orgulham de mim, quero retribuir - não só com palavras, mas com conquistas. Quero que, quando chegar o momento de partirem, sintam que viveram. E que deixaram, neste mundo, alguém que soube transformar tudo o que lhe foi dado em algo maior.
E é isso que quero ser. Um multiplicador de bem. De verdade. De presença.
Não quero ser perfeito, mas quero ser cada vez mais eu.
  E tu… que tipo de pessoa queres ser?

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