Demasiada confiança… é um problema?
Ser “bom demais” não significa apenas
ser gentil em excesso, como nos people pleasers. Também pode ser aquela
sensação de superioridade disfarçada de autoestima, onde acreditamos tanto nas
nossas capac
idades que deixamos de nos questionar, de rever e de duvidar. A
verdade é que todos precisamos de algum grau de incerteza para crescer. É isso
que nos faz prestar atenção, estudar mais, confirmar as respostas antes de
entregar o teste - literalmente.
No meu caso, essa lição veio cedo, nas
aulas de físico-química. Eu era bom. Sabia que era bom. E foi exatamente por
isso que comecei a errar. Não por desconhecimento, mas por excesso de
confiança. Lia as perguntas com pressa, certo de que já sabia onde aquilo ia
dar. E errava. Pequenos detalhes passavam despercebidos, porque o meu foco já
não era compreender, mas sim provar o quanto sabia. E isso custou-me notas que
não refletiam o meu verdadeiro conhecimento. Se tivesse estado menos certo de
mim, talvez tivesse sido mais atento.
A confiança em excesso pode afastar
também quem está à nossa volta. Pessoas que transmitem uma imagem de
superioridade constante - que acham que têm sempre razão, que não ouvem e que
não duvidam - são difíceis de admirar. Pelo menos para mim. Prefiro quem
reconhece que não sabe tudo, que é humilde o suficiente para aprender e que não
tem vergonha de dizer “não percebi, podes explicar outra vez?”.
A linha entre confiança saudável e
arrogância é mais fina do que parece. É importante confiar em nós mesmos, sim.
Mas confiar não é fechar os olhos às nossas falhas. Pelo contrário, é
reconhecê-las e ainda assim seguir em frente. É estar atento aos detalhes,
porque sabemos que mesmo os bons também erram. E que o verdadeiro “ser bom”
está em continuar a melhorar, sempre.
No fundo, ninguém gosta de pessoas que
se acham boas demais. Mas todos somos naturalmente atraídos por quem é
genuinamente bom - e humilde o suficiente para nunca se esquecer de que ainda
tem o que aprender.
Nota pessoal:
Hoje em dia,
prefiro desconfiar um bocadinho de mim do que andar demasiado seguro. Já
percebi que é na dúvida que me torno mais atento, mais cuidadoso, e acima de
tudo, mais humilde. Não quero ser visto como alguém que se acha melhor do que
os outros, nem quero dar a impressão de que já sei tudo. Quero continuar a
errar com consciência, aprender com quem sabe mais, e manter-me curioso - mesmo
nas áreas onde me sinto mais forte.
Porque ser “bom demais” pode até
funcionar por um tempo… mas a longo prazo, o que nos sustenta não é a imagem
que temos de nós próprios, mas a capacidade de evoluir, mesmo quando achamos
que já não há mais para crescer.



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