A constante busca por evolução é saudável?
de transformação. No entanto, surge uma pergunta inevitável: será esta busca constante por evolução saudável? Ou será que, sem nos darmos conta, estamos apenas a reforçar a ideia de que nunca somos suficientes?
É precisamente essa reflexão que me
levou a escrever este artigo. Ao longo dos textos que partilho no blog, tenho
mostrado como procuro evoluir como pessoa, em várias áreas da minha vida. Tento
identificar os meus pontos fracos, reconhecer os padrões que me limitam e
aplicar estratégias que me ajudem a crescer. Gosto de partilhar essas ideias
com os outros, com a esperança de que também lhes possam ser úteis. Mas,
enquanto escrevia, algo me fez parar: se estou sempre a tentar melhorar,
será que alguma vez me sentirei completo? Será que não estou, sem perceber, a
alimentar a sensação de que ainda não sou "bom o suficiente"?
O lado saudável da evolução
Vamos começar por
aquilo que há de positivo nesta vontade de crescer. Procurar evoluir pode ser
uma forma de nos mantermos curiosos, motivados e comprometidos com o nosso
desenvolvimento. Pode representar amor-próprio - o reconhecimento de que
merecemos mais e de que somos capazes de mais. Aprender, experimentar coisas
novas, corrigir erros, enfrentar medos: tudo isso nos torna mais conscientes de
quem somos e mais preparados para lidar com a vida.
Além disso, o desejo de evoluir também
pode nascer da compaixão: queremos ser melhores para nós e para os outros.
Queremos amar melhor, comunicar melhor e viver com mais propósito.
Quando a busca deixa de ser saudável
Mas há uma linha ténue
entre querer evoluir e nunca se sentir suficiente. E é aqui que as coisas
começam a complicar-se.
Por vezes, usamos o "quero ser
melhor" como disfarce para o "não sou suficiente". O problema
não está na evolução em si, mas no ponto de partida: se procuramos crescer a
partir de um lugar de falta, de rejeição interna, de comparação constante com
os outros, então estamos apenas a perpetuar um ciclo de insatisfação.
Tornamo-nos reféns de uma ideia inalcançável de perfeição.
A verdade é que, se estivermos sempre
focados no próximo objetivo, no próximo defeito a corrigir, no próximo passo da
escada, é fácil perdermos a capacidade de apreciar quem somos hoje. De celebrar
as pequenas conquistas. De reconhecer que já percorremos um caminho
significativo. E, mais grave ainda, podemos começar a acreditar que só seremos
dignos de felicidade quando atingirmos certo nível de evolução - que,
inevitavelmente, vai mudando, à medida que nos aproximamos dele.
O impacto emocional dessa busca
Este ciclo afeta
profundamente a forma como nos vemos. Podemos ficar com a autoestima presa ao
que ainda não conseguimos, em vez de sustentada pelo que já somos.
E, ironicamente, quanto mais sentimos que temos de melhorar, mais longe parece
estar a tal felicidade.
É claro que, em muitos casos, esta
mentalidade está também ligada a fatores externos - como inseguranças antigas,
falta de validação, padrões familiares ou momentos menos positivos da vida. No
meu caso, por exemplo, sinto que a dificuldade em estar verdadeiramente feliz
com quem sou neste momento se deve a vários fatores que, neste ponto da minha
vida, não me são favoráveis. Então, acredito que, se atingir os meus objetivos
evolutivos, posso estar mais próximo dessa felicidade. Mas isso levanta outra
questão: se estou sempre a querer mais, será que algum dia me vou permitir
sentir-me feliz com o que tenho?
A resposta está no equilíbrio
E se, em vez de esperarmos atingir o “ideal” para sermos felizes, começássemos a aprender a gostar de nós como somos - mesmo enquanto ainda caminhamos?



Comentários
Enviar um comentário