Qual é o impacto da educação emocional na infância?
A educação emocional, como já falei num
artigo, é, em essência, o processo de aprender a reconhecer, nomear,
compreender e gerir as nossas emoções. Pode parecer simples, mas não é. Envolve
empatia, comunicação, escuta e, acima de tudo, validação - algo que nem sempre
esteve presente nos modelos de educação mais tradicionais.
A importância da educação emocional na infância
É durante os
primeiros anos que começamos a formar a nossa perceção sobre nós mesmos e sobre
o que sentimos. Se somos ensinados desde cedo a dizer "estou triste",
"estou frustrado" ou "preciso de um abraço", a nossa
relação com as emoções tende a ser mais saudável na vida adulta. Conseguimos
reconhecê-las e lidar com elas de forma mais equilibrada, em vez de reprimi-las
ou expressá-las de forma descontrolada.
Por outro lado, quando crescemos num
ambiente onde as emoções são ignoradas, desvalorizadas ou até reprimidas (como “engole
o choro”, “não é nada”, “isso passa”), aprendemos que sentir não é seguro ou
aceitável. E isso pode deixar marcas.
Prós e contras de uma boa (ou má) educação
emocional
Uma educação
emocional bem desenvolvida traz benefícios claros: melhora as relações
interpessoais, facilita a resolução de conflitos, reduz a ansiedade, ajuda na
construção de empatia e desenvolve o autoconhecimento. Também contribui para
uma autoestima mais sólida, já que a criança sente-se ouvida e validada.
Mas a ausência dessa educação pode
gerar adultos desconectados de si mesmos. Adultos que têm dificuldade em
identificar o que sentem, que confundem raiva com tristeza, medo com
desinteresse, ou que simplesmente "bloqueiam" emocionalmente diante
de certas situações. No meu caso, por exemplo, acredito que a minha impossibilidade
de chorar perto de outras pessoas possa ter raízes nessa ausência de validação
emocional durante a infância. Não é algo que eu critique nos meus pais, até
porque sei que também não lhes foi ensinado. Até há pouco tempo, falar de
emoções era quase tabu. Doenças psicológicas eram vistas como fraqueza ou
frescura - e, infelizmente, isso ainda acontece hoje, embora com menor intensidade.
O ciclo que precisamos quebrar
Felizmente, estamos
a viver uma era em que falar de saúde mental já não é um bicho de sete cabeças.
Cada vez mais se fala de emoções nas escolas, nas redes sociais, nos filmes,
etc... E é aqui que entra a responsabilidade de cada geração: reconhecer o que
faltou e tentar fazer diferente - por nós e pelos que vêm dep
ois.
Ensinar uma criança a identificar as
suas emoções é tão importante quanto ensiná-la a ler ou escrever. Porque saber
o que sentimos é o primeiro passo para sabermos quem somos - e como nos
relacionamos com os outros e com o mundo.



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