Maturidade vem com a idade… ou com as cicatrizes?

   Há já algum tempo que me questiono se sou uma pessoa madura. Não é uma pergunta fácil de responder. Talvez por isso ela continue a surgir tantas vezes na minha cabeça. Afinal, o que é ser maduro?
  A definição parece simples: é saber lidar com as emoções, assumir responsabilidades, ter empatia e compreender o impacto das nossas ações no mundo. À luz disso, acho que sou. Ou, pelo menos, tendo a acreditar que sou. Mas o curioso é que, mesmo assim, não me sinto maduro. Sinto-me consciente, sinto-me responsável, mas não maduro - pelo menos não o suficiente para que isso me traga a tal segurança interior que muitas pessoas adultas devem ter.
  Claro que, ao comparar-me com a maioria das pessoas da minha idade, sinto que tenho uma perceção diferente do mundo. Enquanto muitos vivem em função do número de gostos, das tendências do momento ou do drama da semana, eu penso em coisas que não se falam em conversas rápidas. Questiono o porquê das coisas – tal como os meus queridos leitores -, o que nos leva a fazer o que fazemos, e se seremos algum dia livres das versões que criamos de nós mesmos para agrada
r aos outros.
  Mas basta olhar para uma pequena parte da população - para jovens que foram obrigados a cuidar dos irmãos mais novos como se fossem pais, a lidar com doenças familiares, ou a trabalhar desde cedo para garantir o que comer - e percebo que, ao lado deles, sou quase uma criança. E o curioso é que, mesmo tendo tido experiências parecidas, como cuidar do meu irmão mais velho ou ajudar a gerir a casa, o peso que essas responsabilidades tinham para mim era diferente. Será que a maturidade depende, afinal, das condições em que crescemos?
  Talvez sim. Talvez a maturidade seja, também, um reflexo do quanto tivemos de crescer antes da hora. Talvez os jovens que vivem numa luta diária por estabilidade, comida ou amor tenham sido forçados a saltar etapas que outros puderam viver com leveza. E se for assim, “ser criança” é, de facto, um privilégio. Porque crescer cedo demais rouba-nos tempo - tempo de brincar, de errar sem culpa e de sonhar sem limites.
  Mas será que crescer é deixar de sonhar? Ou é apenas aprender a sonhar diferente? Essa pergunta acompanha-me com frequência. Os sonhos da infância parecem puros, leves, quase mágicos. Os da vida adulta, por outro lado, vêm cheios de lógica, limitações e “ses”. Talvez crescer seja aceitar isso: que o sonho já não é uma fantasia, mas uma construção.
  Olho para mim há quatro anos e vejo uma clara falta de conhecimento e maturidade para lidar com certas situações. Hoje, reajo de forma diferente, penso ainda mais antes de agir, tento perceber o outro lado e não julgo sem saber ambas as histórias. Mas isso significa que sou maduro agora, ou apenas que sou mais maduro do que era antes? Quem me garante que daqui a cinco anos não vou olhar para o presente e achar que, afinal, ainda estava longe de ser o que achava que era?
  A maturidade, talvez, não seja um estado a alcançar, mas um processo que nunca termina. Um espelho que nos vai mostrando, aos poucos, versões mais profundas de quem somos. E tu, já te questionaste sobre o que é, para ti, ser maduro?

Comentários

Se gostaste deste artigo, talvez gostes de um destes!