Geração Z: Por que é que nos sentimos tão deslocados?
Este texto é sobretudo para
aqueles que, como eu, se sentem completamente diferentes das pessoas da sua
faixa etária. Que olham à volta e não se reconhecem nos comportamentos, nas
conversas ou nas prioridades dos que têm a mesma idade. Que se sentem mais
sozinhos no meio da multidão do que quando estão verdadeiramente sós. E que,
por vezes, se questionam se o problema está neles ou no mundo à volta.
Tenho 20 anos. Neste momento, não tenho
redes sociais, não vejo vídeos curtos e não me identifico com a maior parte dos
conteúdos que vejo a circular online. Gosto de uma ou outra bebida com álcool,
mas não gosto de discotecas, nem de sítios com muito barulho. Não sinto prazer
em estar rodeado de gente só por estar. Prefiro uma conversa a dois, um passeio
ao fim da tarde ou uma noite tranquila em que possa escrever, refletir ou
simplesmente existir.
E talvez por isso, me sinta muitas
vezes fora do meu tempo. É estranho pensar que pertenço à chamada “geração Z”,
porque, sinceramente, quase nunca me revejo na forma como ela vive. Parece que
hoje em dia existe uma separação enorme entre aqueles que vivem demasiado - ou
tentam viver tudo de forma intensa - e aqueles que vivem pouco, no sentido mais
social do termo. De um lado, há quem queira sair todos os dias, beber até
esquecer, dançar até cair e repetir o ciclo semana após semana. Do outro, há
quem prefira não sair de casa ou, quando sai, procure uma atividade calma,
silenciosa, íntima. E sinto que pertenço a esse segundo grupo, mesmo que às
vezes isso signifique estar sozinho.
Mais do que isso, sinto uma enorme
dificuldade em encontrar pessoas que tenham o mesmo tipo de pensamento ou a
mesma vontade de ir além da superfície. Alguém que sonhe alto, mas que
realmente lute por isso. Alguém que aprecie o silêncio, que se sinta
confortável com a leitura, que encontre beleza nas palavras e na introspeção.
Escrevo. E escrevo muito. Escrever é a forma como entendo o mundo e como me
entendo a mim. Mas raramente encontro alguém da minha idade que valorize isso,
ou sequer que tenha paciência para o tentar compreender.
Às vezes pergunto-me se estou a
procurar nos locais errados. Talvez até esteja. Mas outras vezes penso se essas
pessoas com quem poderia criar ligações reais são mesmo assim tão raras. E a
resposta que encontro, por mais dura que seja, é que talvez sejam mesmo. A
verdade é que é muito mais fácil seguir o que todos seguem. Aderir às modas, às
apps, aos comportamentos que prometem prazer rápido e validação fácil. Viver
com calma, com profundidade e com propósito é, de certa forma, nadar contra a
corrente.
É como estar num concerto onde toda a
gente dança ao som de uma música que tu nem consegues ouvir. E, no meio disso
tudo, tentas perceber se devias aprender os passos ou continuar parado a tentar
encontrar outra melodia.
O que me pergunto, e talvez o que tu
também te perguntes, é: será possível mudar esta incompatibilidade sem mudar
quem sou? Será que posso sentir-me mais integrado, mais compreendido, mais
próximo de alguém, sem precisar abdicar do que sou, do que gosto e do que
valorizo?
Acredito que sim. Mas é preciso tempo.
E paciência. Porque encontrar pessoas que vibram na mesma frequência que tu é
como encontrar diamantes num mundo de vidro. Exige insistência, exige que não
desistas de ser quem és só porque ainda não encontraste quem te entenda. Exige
que continues a ir aos lugares que te fazem bem, mesmo que vás sozinho. Que
continues a escrever, a ler, a sonhar alto, mesmo que ninguém te diga que está
a ler por trás.
Há mais pessoas como tu. Mas como tu,
elas também se escondem do ruído. Também não gostam de se expor, nem de forçar
ligações. Talvez, por isso, demorem mais a aparecer. Mas isso não significa que
não existam. E, quando aparecerem, vais perceber que valeu a pena esperar.
No fim das contas, mudar quem és nunca
deve ser o preço a pagar para te sentires menos só. A tua essência é o teu
maior trunfo. E, mais cedo ou mais tarde, alguém vai reconhecê-la - e vai
agradecer por não teres desistido dela.
Mas, e vocês… realmente acreditam
que não é possível abdicar de quem somos ou eu sou apenas um sonhador
incurável?



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