É possível educar com amor… e com limites?

  Antes de mais, deixo claro: não sou pai, nem estou perto de o ser. Mas sou filho - e isso, por si só, já me dá algumas opiniões sobre o assunto. Crescer, observar diferentes dinâmicas familiares e refletir sobre o que gostaria (ou não) de repetir, fez com que começasse a pensar desde cedo em como quero ser enquanto pai.
  Uma coisa que tenho notado cada vez mais é a confusão entre parentalidade positiva e falta de educação. Claro que faltas de educação sempre existiram e continuarão a existir, e nem sempre é justo apontar o dedo aos pais. Mas, hoje em dia, quando vou a um supermercado ou restaurante, reparo em situações que me fazem questionar se esta geração está a ser educada ou simplesmente entretida.
  Vejo crianças pequenas com tablets maiores que elas próprias, que se tornam agressivas ou fazem birras se lhes tiram o dispositivo - muitas vezes, nem conseguem comer sem ele. Também vejo pais que dizem sempre "sim", talvez com receio de criar traumas, mas que acabam por criar filhos que não sabem lidar com frustração. E o problema aparece quando, mais tarde, o mundo lhes dá o primeiro “não” e eles não sabem como reagir. Isto, sem querer ir pelo lado das crianças que dizem palavrões a torto e a direito, por acharem que são mais ‘fixes’ - muitos, fazem-no até à frente dos familiares, que se riem da situação.
  Com base nessas observações - e também nos meus próprios medos -, comecei a pensar em como gostaria de agir quando for pai. É um tema que me preocupa, porque não sei se serei um bom pai - mas sei que quero tentar fazer o melhor possível. E isso começa com intenções bem definidas:
- Quero três filhos. A minha intenção é ter um menino, uma menina e adotar uma terceira criança - idealmente uma menina, caso os dois primeiros já sejam um casal. Se os dois primeiros forem do mesmo sexo, então adotar uma criança do sexo oposto. Desde que me fizeram ver essa possibilidade, que me apaixonei pela ideia de adotar e acredito que é uma das formas mais bonitas de construir uma família. Quero que todos cresçam com a mesma atenção, amor e oportunidades, e que percebam desde cedo que o amor não tem uma única forma de nascer.
Telemóvel? Só mais tarde. Quero entregá-lo o mais tarde possível, e deixar claro desde o início que se trata de um empréstimo, não de um objeto que é "deles". Assim, quando houver necessidade de o tirar durante um castigo, por exemplo, não haverá aquele argumento do “é meu!”. Até lá, quero que brinquem como eu brinquei - com bonecos, legos, corridas, desporto. Coisas que desenvolvem o corpo e a mente, sem criar uma dependência precoce da tecnologia.
Experiências como o álcool? Em casa. Não quero criar um ambiente de proibição absoluta que leve à curiosidade escondida, que quase sempre termina mal. Prefiro que se sintam à vontade para experimentar comigo, em segurança, sem pressões externas.
Dar mais, mas com consciência. Se tudo correr bem, espero dar ao meu filho mais do que tive. Mas não quero que ele cresça a achar que tudo lhe é garantido. Por isso, penso em criar um sistema de "recompensa por esforço", onde ele ganha pontos por pequenas responsabilidades do dia-a-dia (como fazer a cama, tirar o lixo ou limpar o pó) e pelo empenho na escola. Esses pontos serviriam para comprar brinquedos ou jogos - com os presentes de aniversário à parte, dados pelos pais. Assim, aprendem o valor do que se tem e que nada cai do céu. Nem do bolso do pai, ‘seja lá o que ele faça’.
- Ter filhos ao mesmo tempo que as minhas amigas. Pode parecer estranho, mas adorava que os meus filhos nascessem na mesma altura que os filhos das minhas amigas. Acho que seria lindo vê-los crescer juntos, apoiarem-se como irmãos, e poderem brincar entre eles em vez de ficarem tão presos às tecnologias. Isso ajudaria imenso à intenção de manter o espírito de infância que se tem vindo a perder.
  Claro que isto são apenas ideias soltas e ainda muito teóricas. A vida real é bem diferente daquilo que planeamos - e a parentalidade, então, nem se fala. Mas acredito que o importante é já pensar nisso agora, refletir sobre os exemplos que tivemos (bons e maus) e tentar fazer melhor.
  Se, um dia, me lembrar de mais coisas que tenha idealizado sobre a minha parentalidade futura, trago uma parte 2. Até lá, deixo-te uma pergunta:

  Quais são as tuas expectativas sobre como vais ser enquanto mãe ou pai? Já pensaste nisso?


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