De que cor é a tua personalidade?


   Há algo de fascinante em tentar perceber o que move cada pessoa. Talvez por isso existam tantas teorias sobre os tipos de personalidade - umas mais científicas, outras mais intuitivas, mas todas com o mesmo objetivo: entender melhor quem somos e como nos relacionamos com o mundo. Quem sabe, daqui a uns anos, os cientistas venham a descobrir que essas teorias tentam simplificar algo que é biologicamente mais complexo.
Até lá, cabe-nos entender as teorias e acreditar na que nos faz mais sentido.
  Recentemente, mostraram-me um modelo curioso que divide as personalidades em quatro cores: vermelho, amarelo, verde e azul. Como já referi, pode parecer simplista - e talvez até seja – mas, sem o ter validado a fundo, achei interessante como, em certas coisas, bate certo.
  Talvez por isso este modelo tenha ganho tanta popularidade: porque, com apenas quatro cores, convida-nos a reconhecer padrões em nós e nos outros - o que, sejamos honestos, é sempre uma tentação irresistível. Afinal, quem nunca se perguntou “porque é que tal pessoa é assim?” ou “será que sou mesmo desta maneira?”.
  Na pesquisa para escrever sobre o tema, descobri que a sua origem vem do Insights Discovery, que é baseado nas ideias de Carl Jung, um psiquiatra e psicoterapeuta suíço do século XIX.
Mas chega de história, vamos então às cores:

Vermelho é a cor da ação. Quem se identifica com este perfil costuma ser direto, objetivo, competitivo e, por vezes, até impaciente. São pessoas que querem resultados e que, no processo, podem esquecer-se de ouvir os outros. Às vezes são mal interpretadas como arrogantes ou frias, quando, na verdade, estão apenas focadas em resolver o que há para resolver.

Amarelo representa a energia social. São os comunicadores natos, os otimistas, os que chegam a uma sala e mudam o ambiente com uma piada ou uma história engraçada. Gostam de se sentir parte de algo e evitam o conflito. Por isso, podem ter dificuldade em lidar com momentos mais sérios ou com rotinas rígidas.

Verde é o símbolo da empatia e da estabilidade. São os ouvintes do grupo e os que preferem harmonia a confronto. Estão sempre prontos a ajudar e gostam de fazer parte de um ambiente seguro. No entanto, esta necessidade de estabilidade pode fazê-los resistir a mudanças, mesmo quando são necessárias.

Azul, por fim, é o perfil mais analítico. Detalhistas, organizados, gostam de regras e precisão. Valorizam o conhecimento e têm uma forte necessidade de compreender as coisas antes de agir. O seu lado mais racional pode dar-lhes um ar mais distante, mas isso não significa que não sintam - apenas processam tudo com mais cautela.

  À primeira vista, estas características podem parecer extremistas - como se cada pessoa fosse um estereótipo ambulante. Mas esse é, em parte, o objetivo do modelo: destacar os traços mais marcantes para facilitar a identificação. Afinal, poucas pessoas são apenas uma cor. A maioria de nós é uma mistura de duas, o que torna tudo mais interessante. Mais raro é encontrar alguém que se encaixe, lá está, apenas numa cor… ou até em três.
  No meu caso, sinto-me entre o azul e o verde. Quanto ao azul, sou reservado, detalhista, organizado, analítico e metódico - tudo aquilo que, por vezes, me faz parecer muito sério. Mas também me revejo no verde, por ser ponderado, bom ouvinte, um amigo leal e alguém que tem uma enorme resistência a mudanças (embora esteja a trabalhar nisso). Talvez por isso a estabilidade me diga tanto e a previsibilidade, que para muitos é entediante, seja para mim uma forma de conforto.

  Para além de conhecer o seu significado individual, é de extrema importância saber as suas interações. Existem, então, três combinações entre as cores:
Combinações naturais:
- Azul e verde: Estes dão-se bem pela sua natureza reservado e introvertida;
- Amarelo e vermelho: Estes, ao contrário dos anteriores, dão-se bem pela sua natureza ativa e extrovertida.
Combinações complementares:
- Azul e vermelho: Estes complementam-se, uma vez que o azul é o travão do vermelho, já que prefere pensar nas coisas duas ou três vezes antes de agir.
- Verde e amarelo: Estes complementam-se, já que os amarelos adoram falar e os verdes são bons ouvintes.
Combinações desafiadoras:
- Azul e amarelo: Estes, podem ter uma amizade, mas a sua relação é complicada, uma vez que os amarelos não toleram planeamento e calma, e os azúis não suportam muita energia e desorganização.
- Verde e vermelho: Estes, tal como os anteriores, podem ter uma amizade, mas a sua relação é complicada, já que ambos são pouco flexíveis. Os vermelhos, porque querem tudo à sua maneira e os verdes porque se sentem confortáveis na sua bolha.

  No fundo, conhecer este modelo fez-me perceber que, apesar de sabermos que somos mais do que qualquer teoria ou cor, há algo de útil em tentarmos entender o nosso próprio funcionamento. Pelo menos, dá-nos ferramentas para pensarmos sobre quem somos, como reagimos e até como nos ligamos aos outros.
  Claro que nenhum modelo é absoluto. Somos todos demasiado complexos para sermos resumidos a quatro cores. Mas se uma simples analogia ajudar a criar mais empatia entre nós - seja para perceber melhor um colega impulsivo, o amigo que nunca se cala ou aquela pessoa que parece precisar de um plano até para respirar - então já valeu a pena.

  Talvez a pergunta que devêssemos fazer não seja “em que cor me encaixo?”, mas sim: de que forma a minha cor me influencia e o que posso aprender com as restantes?

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